ÁGUAS TERMAIS PARA A PELE



Ricas em sais minerais, as águas termais auxiliam no cuidado da pele.

Os especialistas recomendam usar a água termal em jatos sobre o rosto pela manhã e à noite, após tirar a maquiagem. Ela também pode ser usada durante o dia, para refrescar a pele em dias muito secos ou quentes

Pode até parecer mais uma invencionice do mundo da beleza, que a cada instante vêm com mais uma descoberta para estimular o consumo. Mas o uso dermatológico de águas termais é de conhecimento milenar: a alta concentração de sais minerais e de oligoelementos (microminerais) lhe confere propriedades terapêuticas, tais como função regeneradora, calmante, hidratante e, claro, refrescante – ainda mais para o verão escaldante que vem por aí.
Os componentes presentes em sua composição ajudam recuperar a pele queimada, inclusive pelo sol, por causa da sua ação cicatrizante. Por isso é indicada também para amenizar a irritação da pós-depilação e pós-barba. Dermatologistas costumam recomendar água termal em casos de pele sensível e de dermatites, como rosácea, eczemas e psoríase.

AS PRINCIPAIS FUNÇÕES

As águas são classificadas de acordo com sua composição. E para cada característica, há uma indicação para um problema cutâneo; veja abaixo:
Ferruginosas (ferro): alergias e acne juvenil
Cloretadas sódicas (cloreto de sódio): aliviam pele irritada
Sulfurosas (tipo de enxofre): doenças da pele
Sulfatadas (tipo de enxofre): anti-inflamatório
Cálcicas (cálcio): eczemas e dermatoses
Silicatadas (sílica): anti-inflamatório e suavizante
Alcalinas (Ph): hidratam a pele
Ácidas (Ph): regularizam o Ph da pele
Oligominerais: higienizam a pele
FONTE: Comissão Permanente de Crenologia (estudo das águas minerais)

 água termal rica em selênio e manganês ajuda na prevenção do envelhecimento, pois é antioxidante e combate os radicais livres. O magnésio tem maior ação calmante e ajuda a proteger a pele das agressões externas.
O enxofre estimula a eliminação de células mortas e, portanto, está associado ao rejuvenescimento, avisa Pupo. Já o silício estimula a produção de colágeno, ajudando a preencher as linhas de expressão e a dar mais firmeza à pele. 
Dentre as muitas fontes termais que existem no país europeu, a Acqua di Recoaro, na região do Veneto é considerada a mais curativa. Não à toa é vista como milagrosa. Um decreto criado no Império Romano considera crime hediondo sua adulteração, conta cosmetólogo Maurício Pupo. “Por ter combinação balanceada de sais minerais e gases, essa água é indicada para o tratamento de todas as doenças porque promove equilíbrio das funções corporais”, explica.
A França é outro país cujas águas termais são tradicionais. Lá estão as cidades com importantes fontes que dão o nome às marcas Avène, La Roche-Posay, Uriage e Vichy. Elas mantêm uma estação termal e utilizam a água como matéria-prima de seus dermocosméticos.
No Brasil, a tradição do uso de águas termais para fins curativos é incipiente. “Por isso, faltam investimentos para pesquisas”, afirma o geólogo Fábio Lazzerini, vice-presidente da Organização Mundial de Termalismo (OMTh). Em seu trabalho de doutorado, ele avaliou diversas amostras do território nacional e revela que ao menos 30 cidades têm potencial para se tornarem estância hidromineral.
A fonte de Águas de São Pedro, a 187 quilômetros de São Paulo, está entre as mais poderosas do País. É considerada semelhante à água italiana de Sirmione. Por ser uma das mais alcalinas e sulfurosas do mundo, é indicada para o tipo de pele brasileira mais comum, a oleosa, pois limpa intensamente e combate a oleosidade. Ainda no estado de São Paulo, existe a fonte termal de Ibirá, a 410 quilômetros da capital. Outra conhecida é a de Goiás, na cidade de Caldas Novas. Todas são classificadas como medicinais.

Comentários

Postagens mais visitadas